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Vida em Londres
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Sobre ser imigrante

Londres
Feb 14, 17
Cultura  •  Londres
Sotaques Inglês Britânico

Já há um tempão tô com vontade de fazer um post sobre o inglês falado na prática aqui. Ouço muita gente que já fez anos de cursinho e já até viajou pros Estados Unidos reclamar que na hora que chega aqui passa aperto na hora de conversar com as pessoas, tanto pela diferença do inglês Americano pro Britânico como também devido ao número enorme de sotaques e gírias que existem em Londres.

Sempre fui apaixonada por sotaques, começando com o mineiro, claro! No Brasil não existe uma diferença tão alarmante quando se trata da mesma cidade – claro que existem variações – mas nada tão notável. Aqui a diferença de um sotaque pro outro dentro da mesma cidade é gigantesca! Dá pra adivinhar em qual área de Londres uma pessoa foi criada só pelo sotaque que ela tem. Legal né?

Vou dividir esse post em duas partes: Essa primeira, que vou falar dos tipos diferentes de sotaque. Na segunda, vou dar uns pitacos sobre como ~treinar as oreia~ e ficar craque na hora de entender o povão. Vumo?

Standard English

Também conhecido como ‘received pronunciation’ (ou como inglês da BBC) esse é o sotaque sem sotaque (hehe) e não vem de nenhuma região em particular. Ele ganhou popularidade com a aristocracia nos séculos 18 e 19, e desde então é considerado o inglês “padrão” – mas na minha opinião isso é altamente contestável, já que quem usa o RP geralmente tem bala na agulha e isso definitivamente não é padrão por aqui. Por isso também ele é mais conhecido como ‘posh accent’, ou sotaque de rico pra traduzir literalmente.

Ninguém melhor do que a minha, a sua, a nossa Betinha pra dar exemplo!

Cockney

O segundo sotaque mais famoso (e complexo) da Inglaterra! Original da região leste de Londres – área onde a classe trabalhadora era predominante há algumas décadas atrás – a palavra ‘Cockney’ era um termo pejorativo usado para descrever as pessoas dessa área. O sotaque em si é uma loucura e pra mim um dos mais difíceis de entender (passo aperto até hoje com meu padrasto que é Cockney). Eles mudam o som de algumas letras e ‘engolem’ outras, principalmente os T’s e H’s (isso se chama glotalização). Water vira wa’er, three vira free, together vira togeva e por aí vai.

Um ótimo exemplo do Cockney English é essa propaganda da Heineken aqui em baixo, feita nos anos 80. A moça está em uma ‘Escola de ginga de rua’ tentando aprender a falar como alguém do leste de Londres, um Cockney. A frase usada é ‘the water in Majorca don’t taste like what it ought to‘ e funciona muito bem pela oportunidade de glotalização que as palavras em negrito oferecem.

— Cockney rhyming slang

A maluquice dos Cockneys não para por aí. Eles tem um dialeto baseado em rimas, minhas gente. Na verdade não é um dialeto (não consigo pensar em uma palavra melhor) mas é uma coleção de frases e expressões que, rimando, significam outras. Por exemplo: Se alguém te falar “use your loaf of bread” estão te mandando pensar, usar sua cabeça. Bread rima com head! Ou se alguém te falar que está tomando “a nice cup of Rosie Lee”, estão tomando uma xícara de chá, Lee rima com tea!

Vamos ver se cês conseguem adivinhar (sem perguntar o tio gugol hein): O que significaria ‘Bees and Honey’ em Cockney Rhyming Slang? Honey rima com…? Money!

Inglês Britânico Sotaques Cockney

London Multicultural English (LME)

O LME é meu sotaque favorito por ser usado pelos jovens e classe trabalhadora de hoje em dia. Pelo nome, multicultural english, a gente percebe que os imigrantes tiveram um dedinho em sua origem, seja isso no sotaque e/ou pronúncia, até como na adição de palavras de outros idiomas no vocabulário. O LME é rápido, agressivo e muitas vezes incorreto gramaticalmente, justamente pelo fato de ter parte da sua origem vinda dos imigrantes aprendendo inglês. Isso faz com que alguns verbos não sejam conjugados corretamente, e que palavras sejam escritas e pronunciadas da forma que alguém que não nasceu aqui pronunciaria. Acho isso MUITO interessante!

O LME pode parecer um pouquinho com o Cockney, principalmente porque os dois usam glotalização. Mas se você der um passeio em Hackney ou Shoreditch, entre os adolescentes e pessoas mais novas é o LME que você vai escutar. O Cockney é mais comum entre os old schoolers, o pessoal mais antigo. Inclusive, li que o LME será o sotaque/dialeto que irá substituir o Cockney quando ele desaparecer (alguns linguistas preveem que isso vá acontecer daqui uns 30 anos – o que faz sentido, uma vez que essa população falante do Cockney é mais velha e vai morrendo sem passar o costume pra frente).

De exemplo vou mostrar um vídeo do Truseneye92, um rapaz que imita MUITO BEM o LME (às vezes conhecido como Roadman/homem da rua). Deixei na minutagem certinha onde ele faz a imitação, mas pra quem tem curiosidade recomendo assistir o vídeo inteiro porque ele faz outros sotaques muito bem também.

E tem também o Korean Billy, que até passou no jornal daqui outro dia. Ele é um Koreano (dã) que posta muito sobre os sotaques e dialetos daqui do Reino Unido de forma bem didática (e fofa e engraçada e linda e fofa e ai meu deus). O vídeo abaixo também é sobre vocabulário usado pelos falantes de LME, o sotaque do Billy por si só não é muuuiiiiito igual mas junto do vídeo dali de cima dá pra ter uma ideia. Como o título do vídeo já acusa, Roadman também é um nome alternativo do LME, significando ‘homem da/de rua’.


Sei que nem todo mundo que lê esse blog manja de inglês – me desculpem postar algo tão específico e que talvez não será entendido por todos. Eu realmente já queria postar sobre isso há meses, mas sempre me segurava por esse exato motivo: ninguém é obrigado a falar nenhuma outra língua e não é todo mundo que teve a mesma oportunidade que eu tive de aprender. Então desgurpem a criança aqui que fica toda empolgada ao falar sobre isso. Espero que alguém tenha aprendido algo útil :)

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Há mais de um ano atrás fuçando em uma livraria, esbarrei em um livro do Andy Goldsworthy chamado Ephemeral Works e fiquei completamente encantada com o trabalho maravilhoso que ele faz. Andy Goldsworthy é um escultor/fotógrafo britânico que fez sua carreira criando e fotografando suas obras de arte temporárias na natureza, usando elementos naturais a como flores, folhas, galhos e até gelo (!). E detalhe: Ele não tem o auxílio de nenhuma outra ferramenta além de suas próprias mãos e coisas providas pelo meio-ambiente.

Suas esculturas não são feitas para durar e em pouco tempo já se desintegram, apodrecem ou derretem. E isso reflete a passagem do tempo – as coisas bonitas da vida não estarão aqui para sempre, devemos admirá-las enquanto podemos. O trabalho do Andy representa fragilidade, o declive, a temporalidade. Que forma mais linda de simbolizar um conceito, né?

Penas de uma garça-real encontrada morta, cortadas com uma pedra afiada. 27 de Fevereiro de 1982.

Folhas de figueira bem maduras depois de um verão muito quente, presas ao chão com espinhos. 08 de Novembro de 1984.

Todas as fotos por Andy Goldsworthy. Vocês podem encontrar mais sobre o trabalho dele no website (não-oficial) e nos muitos livros que ele publicou, todos disponíveis no Amazon.


Me fala se não são de encher os olhos? Todas as fotos foram tiradas com uma câmera analógica no período de 1976-1986, por isso podem parecer estar com efeitinho #problemasdoséculo21 :)

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Esse post na verdade vai servir mais como um ~juntamento~ das coisas que aconteceram e das minhas conclusões sobre o ano. Tem sempre aquela história cansativa de metas de ano novo, mas como eu já falei aqui, eu não alimento esse tipo de expectativa. Acho ótimo quem se sente mais motivado nessa época, mas eu prefiro não me pressionar pra não me sentir um fracasso depois – como já aconteceu muitas vezes.

A vidinha

Esse foi um ano interessante. Saí um pouco mais da minha toca, conheci algumas pessoas bem legais e aprendi muito. Fui mais questionadora e argumentativa, e em consequência disso, bati boca com bastante gente.

Foi também um ano que passei bastante aperto em questão de dinheiro, o que funcionou como uma wake up call: eu preciso fazer meu pé-de-meia. Eu não sou uma pessoa gastadeira daquelas que faz aloka no shopping, meu dinheiro vai todo embora com coisas bobas do dia-a-dia e eu nem vejo. Mas tô ficando mais velha e tenho me preocupado bastante com os eventuais imprevistos da vida.

Em maio perdi meu Vô Bertino. Ele já tava lá com seus 87 anos e bem doentinho, então por mais triste que seja, ele descansou. Também fiquei doente e passei uma semana internada no hospital com o que, segundo os médicos, seria meningite viral. Vou falar pro cês viu, eu sabia que hospital era ruim mas não sabia que era tanto. Que trauma!

Viagens e rolês

Pela falta de bufunfa, 2016 não rendeu muitas viagens. Passei uns dias em Amsterdã, fui positivamente surpreendida por Brighton, andei de barco pelos canais de Londres e, junto da Nelinha, começamos a Capital Ring Walk, que no momento está em pausa por motivos de: friaca do cajalho.

Mesmo que eu não tenha ido para lugares muito interessantes, saí muito com o pessoal do trabalho e isso foi bom pra conhecer melhor as pessoas com quem eu convivo todo santo dia. A gente não tinha esse negócio de sair junto, mas agora formamos um grupinho bem legal e isso tá me fazendo bem.

Fotografia

2016 foi um sobe e desce nesse quesito. Comecei o ano chutando o balde, me convenci que eu não prestava pra esse treco e quase vendi todo o meu equipamento. Fotografia é um dos poucos hobbies que eu tenho e só ver defeito em tudo que saía da minha câmera foi arrasador e muito, muito frustrante. Depois que fiz esse post chorando minhas pitangas, recebi um apoio enorme que me marcou de verdade pra minha vida inteira. Todos os comentários que recebi me fizeram pensar demais sobre o quanto eu cobrava de mim mesma, o quanto eu me pressionava, o quanto eu não curtia o hobby porque só ficava na expectativa de fazer fotos bonitas.

Hoje em dia tenho consciência de que eu não tenho obrigação nenhuma em só fazer fotão. Vi que eu sou muito mais feliz naquele momento em que eu tô ali, perambulando sozinha pela cidade com minha câmera, observando e absorvendo tudo que acontece ao meu redor. Aprendi que minhas melhores fotos são de quando eu tô sozinha e posso prestar atenção nos meus próprios pensamentos – é como se essas duas coisas estivessem conectadas, não sei explicar. Então finalmente constatei que o que me deixa feliz e me satisfaz de verdade não é o resultado, mas sim o processo.

Internerd e o blog

Troquei de layout em Maio e até hoje tô meio deslumbrada com ele, hahaha. Finalmente me sinto em casa aqui no meu blog – que como eu já falei tantas vezes – é uma extensão de mim.

Apesar do layout bonitão pra inspirar, esse ano foi um pouco parado aqui no blog e tô fechando 2016 com uma média de 2 posts por mês. Pra quem não tem obrigação de postar toda semana até que não tá tão ruim, mas eu deveria ter me esforçado um pouco mais. Não sei se jogo a culpa na minha falta de dedicação (provavelmente) ou no bloqueio criativo, mas não é por falta de tentar. Tenho mil posts em rascunho mas tem dia que nada faz sentido e a escrita não flui. Esse post por exemplo: Já tô pelejando aqui há mais de 3 dias, mas se a Deusa quiser (e ela há de querer), esse treco sai hoje – nem que for a base de litros e litros de café.

E reencontrei pessoas lindas, como Dea e Flávia. E também conheci a Nelinha (comassim a gente não tem uma fotinha junta?). Já mencionei elas aqui no blog esse ano e podem ter certeza que ano que vem vou mencionar muito mais :)


Não vou fechar esse post com resoluções de ano novo porque eu continuo precisando fazer as mesmas coisas que precisava 2 anos atrás. Apesar da necessidade de cumprir essas certas metas, não sou daquelas ‘ano novo, vida nova’ que querem fazer tudo de uma vez em um mês só, e nem creio que 00:01 do dia 31 de dezembro eu vá ter uma epifania que faça minha vida mudar. Mudanças não acontecem de um dia pro outro, é um processo lento. Devagar e sempre é o que me mantém.

Tchau, dois mil e dezesseis!

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