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Vou ignorar o fato de que eu já não dou as caras aqui há 1 ano e vou continuar como se nada tivesse acontecido, tá? A verdade é que eu só voltei porque precisava registrar algumas memórias da minha viagem para a Irlanda enquanto ainda tenho as lembranças vivas na cabeça.

Tô recém-chegada da Ilha Esmeralda (chamada assim por ser tão verdinha) e ainda não entrei no ritmo de festa de Londres. Ainda tô devagar, e acordo achando que tô na cama macia do Air Bnb que alugamos por lá. Foram sete dias que poderiam bem ter se esticado para 14, e acho que ainda assim não teria sido tempo o suficiente pra me fazer cansar daquele lugar. Eu finalmente fui na roça que eu há tempos tanto queria – andei no mato, vi um monte de ovelhas e vacas, e senti aquele cheirinho maravilhoso de esterco. Provavelmente peguei uns carrapatos que ainda devem estar passeando perdidos pelo meu corpo.

O interior da Irlanda é um lugar que me fez lembrar muito da minha infância ao oferecer aquele ócio gostoso que a gente nunca sente morando na capital. Infelizmente dessa vez neguei a oferta de calmaria, por mais tentadora que tenha sido, pra tentar conhecer um pouco dos arredores. Não me arrependi de ter trocado o sossego pelo bate-perna, mas me vejo voltando em breve e curtindo aquela cena típica de paz: uma casinha simples e aconchegante, uma rede, um livro, um café.

Marnic House B&B – Primeiro bed & breakfast que ficamos em Ballyhaunis
Santuário de Knock

Não fomos em Dublin (que é em outro condado), mas visitamos tudo que esses sete dias nos permitiram dentro de Mayo. Dirigimos por horas em estradas surpreendentemente bem conservadas, fizemos paradas inusitadas pra seguir plaquinhas que indicavam castelos por perto, andamos e exploramos tudo ao nosso redor.

Quero também registrar o sábado em que escalamos Croagh Patrick, a montanha mais sagrada de toda Irlanda. Paguei meus pecados porque, como de costume, achei que fosse morrer nas 8 horas que levamos pra subir até a igrejinha do topo e descer tudo de novo. É tão difícil que muita gente faz essa escalada como penitência, descalços ou de joelhos. Eu – que fui de tênis – fiquei sem andar direito por 5 dias. Cheguei a conclusão que adoro caminhar, mas nunca mais me atrevo a subir montanha.

Pico da Montanha Croagh Patrick
 Montanha Croagh Patrick vista à distância – pico coberto de neblina
Capelinha no pico da Montanha Croagh Patrick
Pico da Montanha Croagh Patrick, Condado de Mayo

Vista do pico da Montanha Croagh Patrick, Condado de Mayo

Montanha Croagh Patrick, Condado de Mayo

Apontando a meta da escalada – pico da Montanha Croagh Patrick,

Vista do pico da Montanha Croagh Patrick

Vista do pico da Montanha Croagh Patrick

Fizemos um trecho pequeno da Wild Atlantic Way – uma trilha turística na costa oeste da Irlanda. Me arrependo de não ter procurado mais informações antes de ir, pois se eu tivesse planejado direito teria dado pra fazer um pedaço maior. São 2.500km no total, passando por nove condados com paisagens lindas – vou deixar as fotos falarem por mim.

Ilha de Achill, Condado de Mayo
Torre de Rockfleet, que pertenceu a Grace O’Malley
Arredores da Torre de Rockfleet, que pertenceu a Grace O’Malley
Estrada na Ilha de Achill que leva até a praia de Keem Bay
Aldeia abandonada, Ilha de Achill
Aldeia abandonada, Ilha de Achill
Arredores da Torre de Rockfleet, que pertenceu a Grace O'Malley

Arredores da Torre de Rockfleet, que pertenceu a Grace O’Malley

Passamos por tantos lugares que é difícil nomear todos – ruínas de castelos, praias e muita natureza. Gente simpática e hospitaleira que te cumprimenta e dá bom dia ao passar por você sem nem te conhecer (tem coisa mais interiorana que isso?). A vida nessa área parece ser tão tranquila que várias vezes me imaginei tendo uma casinha no meio do nada, com umas vaquinhas pastando no quintal…

Praia de Keem Bay, na Ilha de Achill

Praia de Keem Bay, na Ilha de Achill

Centro de Westport
Westport
Downpatrick Head, Wild Atlantic Way Route

Chegada em Downpatrick Head, em uma parada na rota Wild Atlantic Way

Downpatrick Head, Wild Atlantic Way Route, County Mayo

Downpatrick Head em uma parada na rota Wild Atlantic

Estátua de St Patrick, Downpatrick Head
Convento de Ross Errilly, Condado de Mayo
Convento de Burrishoole
Aldeia abandonada, Ilha de Achill
Convento de Burrishoole, Condado de Mayo
Convento de Burrishoole, Condado de Mayo
Ilha de Achill, Condado de Mayo
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No começo achei que não ia postar nada sobre a viagem aqui, mas mudei de ideia. A razão pela qual eu tava meio relutante era porque eu não queria uma abordagem somente de dicas turísticas, com aquela pressão de um manual de viagem perfeito. O motivo pelo qual eu mudei de ideia é que vi que se eu não registrasse aqui enquanto eu ainda lembro de tudo vividamente, talvez muita coisa se perderia na minha memória.

Bolivia La Paz

DIA 1 – CHEGADA EM LA PAZ

Chegamos em La Paz às 2 da manhã e fomos direto para o hotel. Correria absoluta na hora do check-in porque metade das pessoas estava passando mal pelo cansaço da viagem que juntou com a altitude e dificuldade para respirar. Eu me dividindo entre acomodar todo mundo nos devidos quartos, ajudar os porteiros com as malas, arrumar oxigênio e chá de coca pra todo mundo e combinar o horário de encontro no dia seguinte. Eu mesma só consegui entrar no meu quarto lá pelas 6 da manhã!

Não posso dizer que dormi por 2 horas porque quando cheguei no quarto eu não conseguia fazer nada que não fosse olhar para aquela vista maravilhosa da janela – eu tava simplesmente embasbacada – e pensei: Que se foda dormir, dormir eu durmo em Londres!

Às 8 da manhã eu já estava pronta e arrumada esperando a galera no restaurante. A altitude também me afetou e eu não estava 100%, mas comi umas frutas, tomei um cházin de coca e de boa. Eu tava tão feliz que eu não tinha nem tempo pra passar mal.

Ninguém dormiu muita coisa e como a maioria do pessoal ainda tava meio ruim, decidimos que seria melhor descansar para o tour que iríamos fazer no dia seguinte. Terminamos o café e cada um subiu para o seu quarto – incluindo eu. Só que não pra descansar: fui trabalhar! Fiquei a tarde inteira confirmando que tudo estaria certo para os próximos dias – aliás, essa era minha rotina toda santa noite. Terminei o que eu tinha que fazer, pedi comida e desmaiei.
 

Nesses dois dias ficamos hospedados no Camino Real Suites, um hotel 5* na região Sul de La Paz. É um hotel caro e bem bonito. Eu nunca tinha me hospedado em hotéis alto nível e pude ver que o serviço e amenidades do hotel fazem o dinheiro de quem pagou valer a pena. Quartos enormes, cama super confortável e funcionários prestativos.


DIA 2: CITY TOUR, TELEFÉRICO, VALE DA LUA E MIRANTE

Descansei bastante, porém senti mais ainda o quanto era difícil respirar. Gente, levantar da cama e vestir uma blusa era um esforço hercúleo! Mas me arrumei e desci. Daí pouco tempo o guia já apareceu e começamos o tour.

O tour da cidade

Minhas primeiras impressões de La Paz – IGUALZIN BELO HORIZONTE!1!!1 Passeamos pelos bairros de San Jorge e San Miguel, que são as áreas mais antigas de La Paz, visitamos algumas igrejas e seguimos para a primeira atração do dia: O teleférico!

Mi Teleférico

Minha primeira experiência andando de bondinho! O Mi Teleférico opera nada mais nada menos que 4000m acima do nível do mar e é considerado o mais alto do mundo. Ele transporta mais de 3 mil pessoas diariamente entre La Paz e El Alto (que é onde o aeroporto internacional fica). O serviço é maravilhoso – a passagem custa 3 bolivianos (cerca de R$1,50) com espera máxima de 15 segundos entre cada bondinho. É tudo limpinho, novinho e bem cuidado, achei o máximo. E ah, ele funciona usando energia solar em grande maioria – impacto ambiental é assunto importantíssimo na Bolívia.

Mercado de Las Brujas

Continuamos para o Mercado das Bruxas, que é um mercado ao ar livre bem no meio da cidade. É interessante como a maioria das mulheres mais velhas usam vestimentas tradicionais como a ‘pollera’ (saia volumosa colorida), chapeuzinho e poncho colorido. Não tirei foto porque acho invasivo sair enfiando a câmera na cara dos outros e também porque elas são muito reservadas nessa questão.

O Mercado das Bruxas tem umas coisas muito doidas que vão de souvenir e ervas medicinais até fetos de lhama seca, que algumas pessoas enterram no terreno de casa como uma cha’lla (oferenda) para a deusa Pachamama – a mãe terra. E não façam essa cara porque eles não matam a llama – eles usam os fetos que vieram de abortos passados (ou pelo menos foi isso que o guia disse). De qualquer maneira é algo que é estranho pra nós, mas normal pra eles. Toda cultura deve ser respeitada.

O Vale da Lua

A próxima parada foi um dos pontos turísticos principais da cidade, o famoso Vale de la Luna. Ele na verdade não é um vale – é labirinto doido de cânions enoooormes compostos de argila e arenito, formados pela erosão da chuva e vento. Alguns guias contam que o Vale da Lua recebeu esse nome após uma visita do astronauta Neil Armstrong, que fez um comentário sobre como o local se parecia com a superfície da lua. Parece realmente que a gente tá em outro planeta!

Infelizmente não ficamos por muito tempo lá, o terreno era um pouco irregular e algumas pessoas estavam com dificuldade na hora de caminhar. Mas foi tempo o suficiente pra curtir o lugar e tirar algumas fotos.

Mirante Killi Killi

Já era de tardinha e faltava pouco tempo para o pôr-do-sol, o que faz desse mirante um lugar ótimo para admirar a beleza da cidade e descansar um pouco as pernas depois de muita andança. Dali dá pra ver a cidade praticamente toda e de bônus a montanha Illimani no fundo.

O que deixou tudo ainda mais memorável era uma batalha de rimas que tava rolando na entrada do mirante quando a gente tava indo embora – foi legal porque pude ver um pouco do lado mais tradicional da cidade durante o dia, fechando com um lado mais contemporâneo produzido pelos xofens.


Voltamos para o hotel lá pelas 8 da noite, satisfeitos com o dia produtivo que tivemos. Tomei um banho, pedi uma comida e entrei em um mini-coma pelas próximas 5 horas. Precisava descansar bastante já que no dia seguinte iríamos para UYUNI! Assunto para o próximo post :P

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Perdi a conta de quantas vezes eu já choraminguei nesse blog o arrependimento que eu sentia por ainda não ter entrado faculdade (1, 2). Por mais que hoje em dia um curso superior não seja necessário para ser uma pessoa bem-sucedida, isso sempre foi importante pra mim e uma coisa que eu queria muito fazer, porém até então nunca tive estabilidade o suficiente pra mergulhar de cabeça em algo tão grande.

A semente dessa ideia já havia brotado na minha cabeça há alguns anos atrás, mas foi na Rodovia Pan-americana, indo de busão de Puno para Cusco, que eu finalmente resolvi que essa era a hora – em um cenário maravilhoso e ideal pra qualquer tipo de reflexão. Foram 10 horas de viajem onde eu não tinha nada pra fazer além de pensar, e eventualmente eu senti aquele “clique” que uma decisão recém tomada faz dentro da gente. A partir daquele momento eu sabia que eu não sossegaria enquanto não conseguisse.

Você, caro leitor que se formou aos 22 anos sem nenhuma dificuldade, provavelmente não vai entender o que isso tudo significa pra nós, pessoas mais velhas que estão correndo atrás disso tanto tempo depois de ter deixado a escola. É uma mistura de medo e ansiedade e orgulho por nos amarmos o suficiente pra ir em busca de algo melhor, mesmo que um pouco atrasados.

Como meu histórico estudantil está no BR e daria maior trabalhão trazer pra cá, descobri que seria mais rápido se eu fizesse as provas de Inglês e Matemática que a universidade pedia, mas o único problema era que eu só teria duas semanas pra me preparar. Estudei igual uma maluca com um desespero digno de quem não faz uma continha de divisão no papel há mais de uma década – e passei! Ainda não cheguei à conclusão de como exatamente essa aprovação aconteceu, certeza que deve ter rolado intervenção divina nissaê. Mas num vou questionar né? ¯\_(ツ)_/¯

O curso que vou fazer se chama Tourism & Travel Management (aka Turismo com ênfase em gerenciamento) pela London Metropolitan University. Eu estaria mentindo pra vocês se dissesse que sempre quis cursar isso – na vdd meu sonho era ser arqueóloga – então você deve estar se perguntando por que diabos eu escolhi Turismo, e eu explico: É o que faz sentido pra mim, já que 1) tenho quase 6 anos de experiência na área 2) eu curto pra caramba trabalhar com isso. Minha intenção é me especializar em planejamento e desenvolvimento, mas é uma área com tantas ramificações que talvez eu mude de ideia em um futuro próximo.

É interessante mencionar o tanto de negatividade que eu tô recebendo quando conto pra pessoas que vou entrar na faculdade e sobre o curso que vou fazer. A frase mais comum que eu tenho escutado é “você está perdendo tempo”. Como se conhecimento fosse perda de tempo? Um diploma não é a única alternativa para quem quer subir de vida, mas um diploma também não é nenhuma sentença de fracasso. Principalmente pelo fato do curso de Turismo ser tão desvalorizado e malvisto no Brasil – mas o que as pessoas não veem é que ele vai muito além de apenas vender pacotes pra Porto Seguro.

Parece que pra conquistar aprovação da galera a gente tem que se limitar a cursar apenas Direito, Engenharia, Medicina ou Psicologia, qualquer outra coisa é besteira. Ainda bem que validação de quem não paga meus boletos é a última coisa que eu tô procurando nessa vida.

Depois de tantos anos eu finalmente tô fazendo algo pro MEU bem, MEU crescimento, MEU futuro. Algo SÓ PRA MIM, que EU quero, que EU corri atrás. Tô bem orgulhosa de mim mesma.

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